Quer dizer... O individualismo deve prevalecer de agora?
Gioconda:
Creio que sim.
João:
Você não acha isso um tanto antológico?
Gioconda:
E não é? Temos uma grande coleção de resultados. E sempre foi assim. Temos é muito papo. E, para sobrevivermos, temos que apagar toda essa prosa e seguir em só verso.
André:
De repente, mais que de repente, as borboletas são solitárias.
Mô: (deitada, diz em tom de ironia)
Borboletas, elefantes e macacos me mordam, é terno. Banana:
Uma das coisas que mais me faz feliz é o teatro. E aqui não dá mais. Não quero ser um formão que corta, entalha, faz e desfaz, e nunca tem seu merecido descanso, nem um lugar na caixa de ferramentas do então cidadão. Nunca experimentei o individualismo. Tenho meus receios, mas, de alguma forma, somente vai depender de mim próprio. E ninguém nessa terra poderá, em hipótese nenhuma, dizer não. Alguém aqui já disse que a hora é essa. Pois bem... Nesse momento, tenho um grande compromisso com a então tão falada verdade. (Banana caminha para frente do palco. A iluminação deve ser em foco)
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Eu creio que o ideal de um homem deve ser respeitado, porque é uma coisa muito individual. Tenho também de admitir que existem os ideais, os pensamentos, o fundo errado na cabeça de muita gente. O errado, evidentemente, deve ser combatido e vencido, não simplesmente combatido. Muita gente combate, combate e depois fica tudo no mesmo. Para quem não sabe, teatro é muito combatido. O teatro contemporâneo passa por gato e cachorro. O homem que faz teatro, no caso o artista, é visto torto; é, em certos casos, até marginalizado. Teatro é uma forma de vida que tem seu corpo, sua alma, seu amor e sua verdade. A filosofia teatral é muito delicada; é uma criança, apesar de sua idade. É uma grande perca que, no atual momento histórico-político, tenhamos tantas barreiras. De acadêmico tenho muito a pedir, mas isso não importa, já que a censura intelectual é moda.(o foco é retirado,Banana caminha até onde está a sua guitarra, apanha-a, arranca um cartaz que estava anunciando o baile e sai do palco).
João:
Isso é loucura. Lá vai mais um. É a bomba. Quem vai agora? Qual de nós? Estamos nos culpando uns aos outros. É você, Gioconda, com esse papo de individualismo?
Gioconda:
Não tem nada a ver. Cada um de nós tem capacidade para saber o que fazer.
André:
Essa história vai ter um final feliz.
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