Minha mente e a sobrevivência ao passado

A palavra em mente
São letras em expiação.
Momentos de solidão em criação
Na alma mergulhada em nosso interior.

Nosso cérebro é um talento mefistofélico
Das interpretações e/ou criações
Ante o princípio e o fim desses seres imaginativos.

Nesse lugar de tempos modernos
Sensações por natureza
Sem percepção de paisagem
Nesse tempo de lugares modernosos.

Desfiguradas mãos e/ou defeito físico
Sempre fez parte da rebeldia
Passageira em escuras perversas aventuras.

A palavra paranormal
Cria imagens sem expressões
Realidades de euforia em nosso esplendor
No pensamento das manifestações humanas.

Para lembrar e bebemorar saudades
De uma estrela do século passado
Em um palco da Divina Comédia
Aos holofotes dessa burguesada.

O amor encanta o fado
A beleza trás nos olhos
O sol em cores de esperança
Que na noite deixa cair o pano.

O palco
O spot
A ribalta
A platéia
e/ou
Você e eu.

Hoje, não mais jovem...
A vida não inventa mais a verdade
A verdade é a vida
E não ouvimos mais as canções.

Lembra como era de brincadeira?
Passe o anel de sua vez
Com flores na cabeça
E espinhos nas palavras.

Éramos
Felizes
À toa
Eternos
Dos Santos de Deus.

Atrevidos
Amantes
Imbecis
e/ou éramos.

Na busca desse momento
Uma idéia de liberdade
Ainda paira em minha mente

Não me lembro bem
Quando fiz a primeira trilha.
Porém, e, no entanto...
Na janela havia uma passagem.

Lembra, e tinha uma capela...
Onde nós rezávamos
Para Jesus voltar
No tempo e em tempo.

Bem longe de todos
Na caminhada da solidão
Encontramos uma caverna
Que não tinha porta e nem fim.

Então
Acabou
As alianças
As traições
E as nossas almas.

O que existe é o que aconteceu
Não há nada que possamos fazer.
É passado.
E você é mais poderoso que suas ilusões. “Eu me falei”.

A palavra em mente
São letras em expiação.
Momentos de solidão e criação
Da alma em exposição.

Para alembrar
De saudades
De outra estrela
Sem passado.

Da brincadeira
Atrevida
Liberta
Na paisagem da janela.

Desse lugar
Deserto
Na balada
Do louco.

Sem expressões
Sem manifestações
Sem cérebro
E sem princípios.

Estamos no limite do mundo
Há uma luz fluindo dentro de mim.
Hora de avançar
E fazer escolhas.

Nesse mercado de almas
Ente pessoas de você e eu de nós
Trocamos corpos por sexo
Ente mundanos sentimentos.

Por motivos
Por fantasia
Por desejo
Pelo poder.

Ateimando o velho espírito revolucionário
Despossuído de qualquer pretensão...
Ainda meio estranho como sempre
Desnudo e ausente do medo...

E eu, que mais que vivido, não me desfaça como ardil
Que me desfaça em meios puros...
Mesmo como nós, nesse palavreado agressivo
Eu como você rasgando a historia social de nossas roupas.
E foi em meus cadernos de escola que conheci você.
Embora fosse um sem noção de linguagem,
Foi numa arte que aportei em seus olhos.
Ao efeito das folhas e do lápis retratei você ...

Hoje na margem desse horizonte, não por acaso
Nossa mente sobrevive ao passado.
Visto toda essa tristeza ao futuro reformista
Ao olhar ingênuo daquelas crianças.

Prolixo:

Em algum lugar de uma frase em ênfase: o descuido dos protetores da escrita falam na liberdade de pensamento.
Porém, não falam no liberto pensamento na concepção da palavra.

O principio intelectual do homem concebido em mendigo, esmoleiro, bêbado, bacharel e/ou são os mesmos de um escriba.

A cópia é a emenda em entranhas de uma antiga canção que se ouvia nos anos sessenta do século XX, nas esquinas do rock made in Brazil enquanto a parentada nacional se debochava nas frentes e nas marchas com bundas de papel machê. E eu (se não nós) estava diante de olhos óbvios luminosos, enquanto no intento do passo, as bundas marchavam em cadencia com as batidas do tambor.

Marco Mendes di Siervuli

Antologia de poesias, contos e crônicas MINUTO DE TUDO - Scortecci Editora - Volume 1 - 2020.

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